Seção 2: Colega de Carteira (6)
Alguém de espírito mais frágil provavelmente teria desmaiado de susto neste momento.
Porém, Bai Chen apenas ficou ligeiramente atônita, capturando com precisão a informação crucial contida naquela voz: "Os jogadores que falham no jogo... morrem?"
"Sim, morrem." A voz fez uma breve pausa antes de soar novamente. "Então, você está pronta?"
Bai Chen semicerrrou os olhos.
No instante seguinte, percebeu que tudo ao seu redor havia desaparecido.
O cenário...
Mudou para um campo de esportes escolar em tons de preto e branco.
Sentada no chão, Bai Chen piscou os olhos, sentindo que só agora adentrara o mundo das cinzas. Levantou-se com vagar e lançou um olhar ao redor do campo — descobrindo que, naquele espaço vazio e deserto, havia uma nova silhueta.
Era uma menina de baixa estatura...
Embora Jiang Li gostasse de chamá-la de "irmãzinha", para Bai Chen, esta sim era a verdadeira irmãzinha.
Exceto que...
A menina tinha cabelos grisalhos e olhos rubros, quase decorativos — Bai Chen pressentiu que aqueles olhos não podiam expressar emoção alguma.
Assim como ela.
"Quem é você?"
"Número Dois. Eu sou... Número Dois." A voz da pequena Número Dois carecia de algo essencial, soando monótona. Ela encarou Bai Chen e perguntou novamente: "Você está pronta?"
Bai Chen não respondeu; ponderou em silêncio.
O que era esse Número Dois? De onde vinha?
Pronta para quê? Para morrer?
"Vou encontrar algum inimigo?" Bai Chen enumerou possibilidades em sua mente, por fim arriscando a pergunta — mas não chegou a dizer o que pensava: "Você é o chefe deste lugar?"
Essa menina, mais inexpressiva que ela, certamente teria um temperamento estranho, nada fácil de lidar.
"Nem todo mundo no mundo das cinzas vive em paz," Número Dois fitou-a, completamente alheia à sua inquietação interna. "O PCI registrou a vida das pessoas, e junto com isso, também suas mágoas, ira e tristeza..."
Bai Chen: "..."
Bai Chen: "Não há emoções positivas?"
"Neste tempo, ninguém possui emoções genuinamente positivas." Número Dois respondeu suavemente. "Tudo que você precisa saber é que basta um resquício de mágoa para justificar a existência dos 'monstrinhos' no mundo das cinzas."
Mal terminara de falar, um sussurrar começou a se espalhar na quietude opressora; Bai Chen ergueu o olhar e viu, ao redor do campo, vultos negros surgindo — intensamente monocromáticos, emanando uma aura de silêncio mortal...
Pareciam zumbis ou algo do tipo.
Bai Chen recordou seu primeiro passo no mundo das cinzas, na manhã anterior, quando também fora atacada por criaturas similares.
Mas, no segundo mundo das cinzas, criado por Meng Xiao Su, não viu nenhum "monstrinho".
Qual era a diferença? A mágoa?
De mágoa por quê?
"Se for morta por eles, você morrerá de fato." Número Dois interrompeu seus devaneios, afirmando.
Bai Chen silenciou por um instante, virou-se para os monstrinhos inexpressivos e, percebendo a gravidade da situação, fugiu sem hesitar!
Corria velozmente — com uma destreza tão natural quanto dormir.
Era, de fato, alguém sem emoções, mas não tola — naquele ambiente desprovido de armas, com que derrotaria os monstrinhos? Com coragem? Do tipo que Liang X Ru lhe dera?
Entretanto — depois de correr um trecho, Bai Chen olhou para trás e viu os monstrinhos perseguindo-a com uma velocidade nada desprezível.
Dificilmente conseguiria escapar assim, e fechou os olhos em desalento.
Seria preciso lutar...
Mas...
Bai Chen tocou um galho na margem do campo, observando enquanto aquelas criaturas monocromáticas, ao serem sustentadas por sua mão, dissipavam-se em poucos segundos.
Um mundo criado por dados, portanto inerentemente instável?
Bai Chen franziu levemente o cenho.
Nesse momento, um dos monstrinhos já a alcançara, estendendo a mão em sua direção — Bai Chen esquivou-se ágil, afastando-se rapidamente.
Ao olhar atentamente, percebeu que o rosto daquele monstrinho... era o do seu professor principal.
Bai Chen: "..."
Observou os outros e percebeu que todos tinham rostos familiares, colegas de sua turma.
Que diabos era aquilo?
"Se não revidar, você morrerá." Número Dois, à distância, sua voz ecoando.
Era apenas uma menina, mas sua aura era a de uma soberana, altiva — mais precisamente, de uma criadora diante de formigas.
Bai Chen teve um momento de distração, sendo atingida de raspão pelo bastão de um monstrinho —
Uma barra de vida surgiu acima de sua cabeça, faltando um pequeno segmento.
Bai Chen: "..."
Então era realmente um jogo mortal.
Pensando nisso, esquivou-se com dificuldade e recuou mais alguns passos.
"Pelo menos me diga... como eu revido?" Bai Chen respirou fundo.
Quem sabe o que Número Dois pretendia, talvez a tivesse arrastado para este estranho mundo das cinzas — mas Bai Chen, por alguma razão, sentiu que ela responderia.
"Mão direita, invoque uma arma, igual ao PCI." Como esperado, a voz de Número Dois ressoou.
Gesto de invocação, começa a contra-atacar freneticamente, derrotando os monstrinhos...
Uma onda de atmosfera adolescente inundou o ambiente.
Bai Chen sentiu-se ambígua, mas não relaxou; viu um monstrinho erguer o bastão, pronto a golpeá-la!
Bah, que seja adolescente, o que importa é sobreviver —
Bai Chen apertou os olhos, os dedos ágeis, e ao sentir que agarrava algo, ergueu-o com ímpeto!
Tum—!
Um som surdo! O monstrinho à sua frente foi cortado ao meio, e ao perceber o que tinha nas mãos, Bai Chen, raramente, surpreendeu-se.
Segurava um longo cabo envolto em faixas brancas; acima, uma lâmina estreita e fluida, de frieza implacável, de cuja lâmina escarlate emanava uma torrente de hostilidade.
Bai Chen abriu a boca, lançando um olhar desconfiado ao monstrinho despedaçado, depois a Número Dois: "A arma é aleatória?"
"A arma é gerada conforme o registro do PCI, determinada pelas características do jogador — é a arma mais adequada para você." Número Dois respondeu, impassível.
Bai Chen: "..."
Bai Chen: "Este jogo não está me entendendo errado?"
Que equívoco aterrador.
Bai Chen olhou novamente para a lâmina ensanguentada da espada Tang, e em seu rosto, habitualmente inexpressivo, surgiu um traço de perplexidade.
Mas a perplexidade não durou muito — os monstrinhos avançaram em enxame, obrigando-a a brandir a espada, cortando-os desordenadamente; Bai Chen percebeu que aquela sensação estranha só aumentava.
Ergueu o braço, girou, golpeou horizontalmente —
Nunca aprendera a manejar espadas, só possuía rudimentos de defesa pessoal... jamais imaginara viver algo assim.
Seria isso a extinção da humanidade ou a decadência da moral? Uma estudante secundarista, menor de idade, forçada a sacar uma lâmina...
O mais assustador era que, pouco a pouco, começava a se habituar.
Do caos inicial, passou a achar seus golpes quase artísticos —
Não era tão difícil. Os monstrinhos, por mais ferozes que parecessem, eram irracionais, apenas perseguiam e atacavam, seus movimentos fáceis de prever, basicamente derrotáveis por quem tivesse uma arma.
Bai Chen ergueu as mãos, seus cabelos negros voando atrás, e cortou o último monstrinho.
Ao olhar —
Sim, aquele também tinha o rosto do professor principal.
Um pecado, um pecado.
Pensando nisso, Bai Chen de súbito percebeu algo — aquele era o campo da escola, e os monstrinhos que derrotara... eram pessoas da escola, todos bem conhecidos.
Semicerrou os olhos, olhou para o lado onde estava Número Dois, mas ela já não estava lá.
Seria para que ela mesma encontrasse a saída daquele mundo das cinzas?
Ao redor, tudo era silêncio; Bai Chen, segurando a espada, caminhou pelo campo em direção ao muro.
Lembrou-se do mundo das cinzas criado por Meng Xiao Su, visitado naquela manhã.
Apoiou a mão no muro...
E um rosto desesperado relampejou em sua mente.