Seção 2: Colega de carteira (3)
— Você tem alguma impressão sobre Meng Xiaosu? — Jiang Li ainda mantinha os olhos fixos no mapa do PCI, a voz displicente.
Ao mesmo tempo, buscou no bolso um cigarro, prestes a acendê-lo.
Então ouviu uma voz serena:
— Meng Xiaosu, dezesseis anos, um metro e sessenta e nove de altura, mora a trezentos metros daqui, na rua Jiahe número nove; os pais são divorciados, ela vive com...
— Ei... espera aí! — Jiang Li tremeu a mão, quase derrubando o cigarro, girou o rosto para encará-la — e, finalmente, naqueles traços sempre marcados por um sorriso, viu um lampejo de surpresa fora do script.
Bai Chen parou ao escutá-lo, olhando-o; a reação era desprovida de emoção, mas para Jiang Li havia ali algo de inocente, como se nada do que dissera estivesse errado.
Inocente a ponto de parecer natural.
— Hum, minha pergunta era... — Jiang Li se esforçou, franzindo o cenho, tentando ser mais claro: — Vocês têm alguma ligação? Conversam, como garotas costumam fazer, vão juntas ao banheiro, esse tipo de amizade? Então você deve saber algumas coisas dela, não?
Pensando “mas que diabos”, Jiang Li arregalou os olhos, distendeu os lábios e balançou o cigarro entre os dedos.
Supôs que a garota havia compreendido errado sua intenção.
— Não conversamos com frequência. E não vou ao banheiro com ela — Bai Chen respondeu com tranquilidade.
— Er... quero dizer... — Jiang Li não se deu por vencido, passou a mão pelos cabelos, suspirou e tentou de novo: — Ela já comentou sobre o que mais detesta, o que mais teme, ou o que mais gosta?
— Não sei.
Aquela frase de Bai Chen foi devastadora; Jiang Li ficou sem palavras.
Contorceu os lábios — só então percebeu que havia algo errado com aquela garota.
E, somente agora, olhou Bai Chen com atenção —
Garota de cabelos negros, lisos e longos até a cintura, vestindo o uniforme escolar de camisa branca e saia xadrez; postura ereta, poderia figurar em cartazes de etiqueta estudantil; o rosto pálido, à primeira vista dócil, com uma pinta lacrimal que a fazia parecer saída de um anime, e os olhos negros, profundos, carregando uma quietude incomum para uma moça de sua idade.
Sim, uma quietude de lagoa antiga.
Jiang Li recordou-se da reação dela naquela manhã, e das palavras e ações de instantes atrás...
Já vira tantos pássaros recém-nascidos, mas nunca um como ela —
Toda envolta por uma sensação intensa.
— O tipo de força que parece “impressionante”.
...
— Vocês são colegas de mesa, não? — Jiang Li, por fim, expressou sua dúvida maior.
— Somos.
— Então você realmente não sabe nada sobre ela? — Jiang Li, resignado, insistiu uma última vez.
— Não muito.
Nada mais temível que o silêncio repentino.
Sentindo o clima, Jiang Li suspirou:
— Ai, será que vocês são mesmo colegas de mesa? Você realmente não é nada animada, garota...
Bai Chen não respondeu.
Jiang Li ergueu a mão em rendição:
— Deixa pra lá... Vou analisar a lógica da existência diretamente!
Atirou o cigarro não aceso na lixeira.
Fumar pra quê, já não tinha humor.
Bai Chen observou-o ficar subitamente irritado, sem entender, mas ainda lembrou-se de perguntar:
— Lógica da existência... o quê?
— Difícil de explicar. — Com horas extras à vista, Jiang Li não tinha disposição para responder; evocou o teclado PCI, os dedos voando sobre as teclas, digitou uma sequência numérica e, de repente, uma das telas PCI ao seu lado estalou, fragmentando-se em pedaços azulados que voaram pelo ar como se tivessem asas.
Bai Chen ficou desconfiada:
— Você não quer mesmo explicar, não é?
— Shhh — Jiang Li sorriu, tocando os lábios com o dedo indicador.
— ...
...
Logo, no mundo monocromático, uma faixa de luz azulada surgiu no chão, estendendo-se e servindo claramente de orientação.
— Oh! — Jiang Li assobiou ao ver aquilo. — O programa de análise daquele quatro-olhos até que funciona...
Mal concluiu, a faixa de luz se apagou no terceiro segundo, com um “bip”.
Jiang Li: “...”
Bai Chen arqueou a sobrancelha — o que estava acontecendo?
— Insultando-me pelas costas e usando meu programa... Como sua cabeça ainda não foi chutada pelos Guardiões? Louco. — Nesse instante, uma voz fria e ríspida saiu do PCI de Jiang Li, sem piedade.
Jiang Li: “...”
— Retiro meu auxílio. Até um mundo de cinzas de nível D precisa de programa para análise? Inútil.
— Analise você mesmo.
Seguiu-se um silêncio sepulcral.
Jiang Li: “...”
Jiang Li: — Eu @¥&&* Dong, seu #¥%...
Bai Chen viu o homem à sua frente pular de raiva, pressentindo que entendia algo, mas sem saber exatamente o quê.
Jiang Li bateu o pé, furioso:
— Ele foi longe demais!
Apesar da irritação, durou pouco; talvez por já estar acostumado, só suspirou:
— Tsk, parece que só me resta... Que sofrimento...
Bai Chen lançou-lhe um olhar de soslaio, sem emitir opinião.
Enquanto Jiang Li, aflito, recomeçava a mexer no PCI, Bai Chen, entediada, voltou o olhar ao redor, pousando-o na parede ao lado —
Hm... Antes, aquela parede não tinha porta PCI.
Sentiu algo estranho, e, quase sem pensar, tocou a parede com a mão —
Sss...
Num instante, uma torrente de imagens inundou sua mente, tamanha a quantidade de informações que ela quase perdeu o equilíbrio.
Eram imagens de...
Bai Chen respirou fundo, obrigando-se à calma para distinguir o conteúdo, até que finalmente pôde afirmar:
Na verdade, eram cenas vistas nas salas de aula, reunidas, mas havia ainda mais.
Com as costas coladas à parede fria, Bai Chen começou a processar tudo mentalmente, uma mão pousada na testa, olhos semicerrados.
Jiang Li, ocupado, não percebeu sua mudança; só reparou após alguns instantes, quando a viu assim, e ouviu-a perguntar:
— Por que você me perguntou... se eu sabia sobre aquelas coisas?
A voz de Bai Chen era suave, sem inflexão, mas naquele momento parecia dotada de uma estranha força persuasiva, levando qualquer um a responder involuntariamente.
“Aquelas coisas” — sobre Meng Xiaosu.
Por que saber do que ela gosta, detesta ou teme?
Jiang Li piscou, achando tudo curioso; sorriu, deixando para trás o mau humor de antes:
— Ora, é para passar de fase — para vencer o boss, precisamos saber onde ele está.
Bai Chen pensou rápido:
— Analisar a lógica da existência... significa decifrar o mapa e encontrar o boss? O construtor é Meng Xiaosu... Então a lógica está ligada às trilhas das lembranças dela?
— Sim, mais ou menos. Em teoria, o núcleo final é: sob as condições deste mundo de cinzas, encontrar o cenário mais marcante para o construtor; ao conseguir, pode-se sair daqui. — Jiang Li acariciou o queixo. — É estranho... O mundo de cinzas que surge é sempre aleatório, mas logo você, sendo uma “pássaro recém-nascido”, deu a sorte de topar com sua colega de mesa...
O cenário mais marcante.
Bai Chen tocou a cabeça, vislumbrando um palpite; a imagem do mapa cruzou sua mente, fazendo-a olhar para um ponto específico e caminhar até lá — cada vez mais rápido.
— Hein? Tão decidida assim? — Jiang Li se surpreendeu.
Bai Chen avançou, chegando logo à borda do prédio escolar; deveria dar no pátio, mas ao atravessar o portão, o cenário mudou para uma rua —
O lugar onde Meng Xiaosu mora.
Bai Chen, diante daquela transição absurda, sentiu um pressentimento invadir-lhe o peito, paralisando-a por um instante.
Jiang Li a seguiu, não tendo tempo para observar o novo ambiente, olhou ao redor com curiosidade.
Bai Chen voltou-se lentamente, encarando-o:
— Afinal, em que se baseia a escolha dos cenários deste jogo... memórias?
Jiang Li, recém-saído, ergueu a sobrancelha.
— Usar experiências que só podem ser descritas como trágicas como fonte dos cenários...