Capítulo 2: Colega de Carteira (1)

Fantasi Abu Beiqi 2828kata 2026-03-11 14:57:14

        Bai Chen: "……"
        Seria isto o lendário “busca incessante sem encontrar”?
        Mas logo percebeu que ainda era ingênua demais; ao clicar no ícone, reparou que não se tratava da interface completa de algum programa de jogos — à medida que a tela semitranslúcida de azul luminoso se desdobrava diante de seus olhos, títulos, categorias, número de discussões, perfil pessoal e outros elementos surgiam… Era um fórum.
        O título saltava aos olhos — Bem-vindo ao espaço de discussão de “Mundo das Cinzas”. Sua classificação no jogo é 89621.
        Bai Chen deparou-se com essa frase e sua mente girou velozmente —
        Ela deveria ser apenas uma jogadora de nível inicial; essa posição quase determinava que estava no fundo da lista, implicando que o total de jogadores era próximo de noventa mil.
        Mas que tipo de jogo seria este?
        Bai Chen pensou nas figuras humanas indistintas, e seu olhar brilhou.
        — Um assassino colossal nas ruas… talvez.
        Enquanto pensava de forma distraída, uma sensação estranha, quase inquietante, crescia em seu íntimo — especialmente quando, diante da seguinte situação, atingiu o ápice:
        “Desculpe, sua classificação é muito baixa; não possui acesso para consultar este tópico.”
        Não era apenas um tópico.
        Era todos os tópicos.
        E não bastasse, sua permissão sequer lhe permitia visualizar quantas categorias o fórum possuía.
        "……"
        A ironia exalava do próprio ecrã, como se pudesse soprar-lhe ao rosto, impregnando-lhe de um odor fétido e desagradável.
        — Mas, curiosamente, ela tinha permissão para criar um tópico.
        Bai Chen soltou um suspiro, girou o corpo da caneta entre os dedos, e ao parar, bateu-a com força contra a mesa — ergueu a mão e postou um tópico.
        O título e o conteúdo eram igualmente diretos — “Afinal, que jogo é este?”
        …
        “Bai Chen… a aula começou.” Assim que terminou de postar, Bai Chen sentiu sua colega de carteira cutucar discretamente a borda da mesa, recordando-a.
        Bai Chen assentiu com serenidade e desligou o PCI.
        As respostas não viriam tão rápido —
        “Ah…”
        Seus movimentos mal tinham terminado, Bai Chen ouviu um suspiro e não pôde evitar olhar ao lado.
        Sua colega de carteira chamava-se Meng Xiaosu; ninguém sabia ao certo quando ela chegara à sala, mas agora estava sentada silenciosa ao lado, suspirando.
        Meng Xiaosu parecia ser mais baixa que Bai Chen, mas de fato era mais alta; a impressão vinha de anos de postura curvada, ombros caídos. Ao suspirar, seus olhos escuros, quase sem brilho, tornavam-se ainda mais opacos, e toda sua figura exalava desalento.
        No rosto, lia-se claramente: “Estou desesperada.”
        Bai Chen: "……"
        Bai Chen: "Você está bem?"
        Ao ouvir a pergunta, Meng Xiaosu se sobressaltou, ergueu o olhar e encarou os olhos sem emoção de Bai Chen; instintivamente balançou a cabeça: “Não é nada.”
        Então… não era nada, ao que parece.
        Pensando assim, Bai Chen deixou de se importar e voltou-se para prestar atenção à aula, embora, na verdade, não absorvesse nada; sentia apenas que aquele mundo em preto e branco que encontrara anteriormente balançava incessantemente diante de seus olhos.
        E também aquelas figuras humanas monstruosas.
        Difusas, implacáveis, desesperadas.
        …
        “Meng Xiaosu—”
        Nesse instante, um grito severo arrancou Bai Chen de seus devaneios; ela se recompôs, mantendo-se impassível, e logo percebeu que não era ela quem fora chamada, mas sua colega de carteira.
        Meng Xiaosu, primeiro, soltou um “ah”, sem conseguir recuperar-se, mas seu corpo reagiu prontamente, levantando-se abruptamente; contudo, seus pés traíram-na e, em um instante, ela caiu de volta sobre a cadeira, produzindo um estrondo.
        Risos abafados ecoaram pela sala de aula.
        Meng Xiaosu empalideceu e levantou-se apressadamente.
        “Eu mandei você levantar para responder à pergunta, o que é esse ‘ah’?!” O professor de matemática, calvo, tinha uma testa reluzente como lentes polidas de óculos, irradiando uma luz que parecia, de certa forma, indício de sabedoria. “Está emocionada demais?!”
        Os risos tornaram-se ainda mais evidentes.
        Meng Xiaosu, nervosa, mordeu o lábio e balançou a cabeça com vigor.
        Bai Chen permaneceu em silêncio.
        O destino é algo misterioso; naquele mesmo mundo, ela e a colega haviam se distraído ao mesmo tempo, e por um momento, Bai Chen também não conseguira reagir ao que estava sendo perguntado.
        “Eu…” Meng Xiaosu tremia de nervosismo, os ombros sacudindo.
        O professor, fora das aulas, era apenas um velho ocioso, mas durante as explicações, sua rigidez era tal que fazia qualquer um querer amaldiçoar sua família; era impensável esperar que ele, com misericórdia, repetisse sua questão.
        Pensando nisso, Bai Chen já lançava um olhar rápido ao quadro eletrônico atrás do professor, em seus olhos números e símbolos passavam velozmente.
        Esta aula… a aula anterior…
        Com destreza, Bai Chen anotou a fórmula do problema em seu caderno de rascunho e tocou com leveza o pulso de Meng Xiaosu, apoiado sobre a mesa — o gesto era surpreendentemente natural, sem sinal de estranheza.
        Mas Meng Xiaosu, ao ser tocada, reagiu com sensibilidade, seu corpo estremeceu abruptamente.
        “O que é esse tremor? Estou falando com você!” O professor não ocultou seu desagrado, a severidade de sua voz intensificou-se.
        Os estudantes, antes zombando, calaram-se gradualmente; a atmosfera tornou-se densa, carregada de tensão, como se pesasse toneladas. Meng Xiaosu lançou um olhar ao papel de rascunho, os lábios tremeram.
        “Se você não responder, após a aula—” O silêncio se prolongava tanto que o professor, talvez convencido de que Meng Xiaosu era um caso perdido, estava prestes a voltar-se—
        Quando ouviu Meng Xiaosu pronunciar, apressada, uma resposta que ecoou pela sala com sessenta alunos: “Jogador!”
        Um instante de silêncio absoluto.
        Bai Chen: "……"
        Era a fórmula que ela escrevera, não as duas palavras rabiscadas anteriormente…
        Muito triste…
        “HAHAHAHAHAHAHAHA…”
        “MD, morri de rir, a pequena Meng ainda está sonhando, hahaha…”
        “Su Gordinha deve ter ficado viciada jogando ontem à noite, hahaha—”
        Um estudante, ao perceber o ocorrido, começou a rir — logo, o riso e as provocações tomaram conta de toda a sala, ininterruptamente.
        Bai Chen: "……"
        Não pôde evitar olhar para Meng Xiaosu — a colega, de ombros caídos e cabeça baixa, tremia violentamente.
        Ela não sabia o que dizer, mas naquele instante, ouviu um som leve, súbito.
        Crepitação.
        Bai Chen sobressaltou-se, ergueu os olhos: uma luz vermelho-escura deslizou sobre Meng Xiaosu.
        Aquela cena estranha era de uma nitidez incomum para Bai Chen, a ponto de seu olhar transparecer uma rara inquietação; a fúria do professor e as provocações dos alunos tornaram-se turvas à sua percepção.
        O que seria aquilo?
        …
        Ao fim da aula, Bai Chen hesitou por um instante ao ver Meng Xiaosu levantar-se e dirigir-se à sala dos professores; pensou um pouco, abriu o PCI.
        Havia respostas ao tópico, poucas, mas o conteúdo…
        {Mundo das Cinzas? Claro que é um jogo interessante.}
        {Hehe, filhote inexperiente.}
        Nada de construtivo.
        Bai Chen franziu os lábios de modo quase imperceptível, largou a caneta, fechou o PCI, e preparou-se para sair da sala e respirar um pouco.
        “Meng Xiaosu, o que houve hoje? Parecendo perdida…”
        “Ela não é sempre assim? Feia e cheia de esquisitices.”
        Ao se levantar, ouviu comentários chegando aos seus ouvidos.
        Tsc.
        Bai Chen desviou o olhar e encaminhou-se diretamente para fora.
        “Ei, você acha certo falarmos da colega de Bai Chen ao lado dela…?”
        “Qual o problema? Alguma vez você viu ela se irritar? Às vezes acho que ela também é estranha, nunca tem expressão no rosto — talvez seja por isso que se dá tão bem com Meng Xiaosu? Ahaha.”
        “Mas Meng Xiaosu é mesmo nojenta — vou te contar, já vi ela…”
        “Sério? Que horror, hahaha.”
        … Triste, muito triste.
        As vozes eram discretas, mas infelizmente Bai Chen tinha ouvido sensível.
        Ela não tinha mais vontade de escutar, prosseguiu para fora, mas ao dar apenas dois passos, percebeu uma alteração no ambiente ao redor.
        As cerâmicas brancas, as paredes de tom laranja-claro, uma árvore de lagerstroemia do lado de fora do corredor, num instante… tornaram-se em preto e branco.
        Preto e branco, sem cor…
        O Mundo das Cinzas.
        O coração de Bai Chen acelerou, girou abruptamente, e viu que o corredor, antes cheio de estudantes rindo e brincando, estava agora completamente vazio.
        Afinal… o que era aquilo?