Capítulo 007: O Colega de Classe de Yu Debiao
Yu Debiao planejava ir procurar Wei Datou pela manhã para discutir a questão da retirada. Na véspera, ele já havia recebido a resposta de Shangfeng, autorizando que se retirassem para Baoding, permanecendo sob o comando de Feng Yannan da região de Beiping.
Yu Debiao sempre acreditara firmemente na máxima de que a cautela é o segredo da longevidade; por isso, mesmo após terem abandonado o pequeno bar, ele sentia que Beiping já não era mais um lugar seguro para permanecer. Devido à natureza de sua profissão, estavam em contato com inúmeras pessoas, aumentando exponencialmente o risco de exposição.
Ainda mais, Yu Debiao dava crédito ao velho ditado de que, diante do desastre iminente, cada um busca salvar-se sozinho. Por isso, não pretendia preocupar-se mais com Chen Yang. Supunha, com grande probabilidade, que Chen Yang se encontrava agora mesmo na cela do Departamento de Inteligência da polícia, ou talvez até mesmo sob custódia dos gendarmes japoneses. Restava-lhe apenas rogar pela própria sorte e esperar escapar ileso.
Sabendo do esconderijo seguro de Wei Datou, Yu Debiao saiu a pé ao romper do dia. Não era por avareza, tampouco por economia que evitava o riquixá, mas sim para não deixar rastros de sua passagem. Não desejava levar consigo qualquer vestígio de Beiping para Baoding.
Astuto e experiente, Yu Debiao confiava que não havia deixado marcas perceptíveis em Beiping; mesmo o proprietário do esconderijo pouco sabia a seu respeito, pois, sempre que pagava o aluguel, apresentava-se meticulosamente disfarçado. Assim, procurar por Yu Debiao através do senhorio seria como buscar uma agulha num palheiro, sem esperança de sucesso.
Ao aproximar-se de Nanchizi, Yu Debiao estava em máxima alerta — um hábito adquirido por sua vida de agente. Avistou, à beira da rua, uma loja de roupas sob medida com as bancas expostas na calçada. Os empregados, em altos brados, tentavam atrair fregueses e, ao lado deles, erguia-se um grande espelho de vestir, mais alto que um homem.
Yu Debiao aproximou-se, tomando um terno nas mãos e, enquanto perguntava o preço, comparava-o diante do espelho. O empregado, solícito, acalentava a esperança de fechar o negócio.
Aproveitando o reflexo do espelho, Yu Debiao observou atentamente os arredores, mas não notou qualquer indício de que estivesse sendo seguido. Devolveu o terno ao cabide e dirigiu-se à viela.
O imóvel alugado por Wei Datou era, agora, um típico pátio compartilhado, mas outrora fora um requintado siheyuan! E com cinco degraus na entrada — um privilégio reservado a nobres de alta categoria.
Falar de Nanchizi é, de fato, falar dos domínios do imperador; antigamente, dizia-se que dali até o palácio era apenas “um tiro de flecha”, tamanha a proximidade do poder. Ainda que haja certo exagero, a expressão basta para ilustrar.
Ao adentrar o pátio e contornar o mural esculpido com extrema delicadeza, Yu Debiao conjecturou que os ancestrais daquela família deveriam, no mínimo, ostentar o cinto amarelo da nobreza; de outro modo, como poderiam habitar tão esplêndida residência? Apesar da decadência atual, vestígios de glória ainda reluziam em cada tijolo e pedra.
Wei Datou não padecia de penúria, tampouco era homem afeito a privações; por isso alugara um dos aposentos principais voltados ao norte, frescos no verão e aquecidos no inverno.
Notando que os alhos e pimentas pendurados à porta permaneciam intocados, Yu Debiao deduziu que o local estava seguro. Aproximou-se, pronto a bater o sinal combinado — duas longas e uma curta —, quando percebeu que a porta estava apenas encostada.
Foi tomado por um sobressalto, uma sensação funesta o envolveu. Para um agente, deixar a porta destrancada era inconcebível.
“Algo está errado, pode ser uma armadilha!” — pensou Yu Debiao. Recuou lentamente dos degraus, esforçando-se para não fazer ruído, ergueu bem as pernas e preparou-se para sair dali.
“Não se mexa! Qualquer movimento e eu atiro!” — uma voz áspera, acompanhada de um objeto duro pressionando sua nuca, fez Yu Debiao deter-se de imediato, erguendo lentamente as mãos.
Do interior da casa, ouvindo a movimentação, alguns homens saíram. Era o agente Zhao Wensheng, que o mantinha sob a mira do revólver.
Aproximaram-se e, num átimo, jogaram Yu Debiao ao chão, revistando-o e encontrando consigo uma pistola carregada.
“Este sujeito é astuto, ia fugir, mas eu o peguei a tempo. Parece que hoje acordei com sorte — até mijando eu dou sorte!” — exclamou Zhao Wensheng, eufórico.
“Quem saiu e não trancou a porta?!” — bradou Aoki Kōfuku.
“Não foi o Zhao Wensheng, não? Ele foi o último a sair.” — comentou um dos agentes.
“Que disparate! Eu tranquei a porta, sim!” — vociferou Zhao Wensheng.
“Não foi ele! Aparentemente, quem abriu a porta fez isso entre o momento em que o senhor Zhao foi ao banheiro e antes de sairmos. Mas, nesse intervalo, ninguém mais saiu.
Se ninguém saiu, então não era necessário sair. Por que, então, a porta estava aberta? Só há uma explicação: quem abriu a porta queria avisar alguém!” — Aoki Kōfuku sorriu friamente e completou: — “Portanto, entre vocês que saíram por último, há um infiltrado!”
“Lao Yu? É você, de verdade?” — nesse momento, a porta se abriu e Yu Jinhé surgiu. Ao ver Yu Debiao, exclamou surpreso e perplexo.
Yu Debiao, dominado pelos agentes, debatia-se em vão enquanto lhe prendiam as algemas; apenas conseguiu girar o pescoço num gesto desconfortável para enxergar Yu Jinhé.
Este afastou os agentes, que, vendo Yu Debiao já algemado, o deixaram de lado.
Só então Yu Debiao pôde encarar Yu Jinhé; abriu a boca, mas, abatido, nada disse.
Yu Jinhé sacou um retrato e o sacudiu diante do rosto de Yu Debiao, praguejando: — “Isto é uma piada, não? O desenhista é realmente habilidoso, pois não há sequer um traço de semelhança! Só pode ter sido de propósito.”
“Amigo do Chefe Yu?” — indagou Aoki Kōfuku.
“Colegas de escola. Estudamos juntos no mesmo curso de formação.” — respondeu Yu Jinhé.
A viatura policial, uivando, conduziu Yu Debiao de volta à delegacia. Novamente, a sala de interrogatório no segundo andar, apenas Yu Jinhé e Yu Debiao presentes.
“Lao Yu, quando chegou a Beiping? Por que não me procurou?” — perguntou Yu Jinhé.
“Tu és agora o hóspede de honra, eu o prisioneiro acorrentado — que mais há a dizer?” — respondeu Yu Debiao.
“Há sim. Se não houvesse, você já estaria nas mãos dos gendarmes!” — disse Yu Jinhé, enfatizando as palavras “gendarmes”.
Ao ouvir, Yu Debiao estremeceu, mas ainda assim retrucou: — “Já que estou em vossas mãos, façam como quiserem.”
“Lao Yu,” — Yu Jinhé se aproximou e, pousando a mão sobre o ombro de Yu Debiao, continuou: — “Lembra-se do tempo de escola? Eu era pobre, e era você quem muitas vezes trazia pães de farinha branca de casa para mim. Naquele tempo, éramos grandes amigos.”
“De que adianta falar disso agora? Nossas estradas já não se cruzam.” — murmurou Yu Debiao.
“Talvez não sejam tão diferentes assim; quem sabe, conversando, nossas estradas se encontrem.” — replicou Yu Jinhé.
Yu Debiao calou-se, imerso em pensamentos insondáveis.
“Eu também não queria chegar a este ponto! Quando nos formamos, fui designado para a polícia de Beiping. Quem poderia imaginar que os japoneses tomariam a cidade? Mal tivemos tempo de fugir! Fomos todos incorporados pelos japoneses — seria culpa minha?” — desabafou Yu Jinhé.
Yu Debiao permaneceu mudo, sem lançar-lhe um olhar sequer.
Yu Jinhé aproximou-se ainda mais, apoiando as mãos nos braços da cadeira, e disse, num tom de aparente sinceridade: — “Venha para o meu lado. Dou-lhe, de início, o cargo de chefe de setor, com um salário mensal de duzentos oceanos. Em qualquer lugar, afinal, é preciso viver!”
Os olhos de Yu Jinhé cravaram-se nos de Yu Debiao, na expectativa de uma resposta. Yu Debiao, embora permanecesse calado, desviou o olhar, mordendo o lábio inferior, perdido em pensamentos indecifráveis.
“Não temos muito tempo. Os gendarmes estão lá fora, prontos para levá-lo a qualquer momento!” — insistiu Yu Jinhé, agora levemente ansioso.
“E basta que eu aceite para que tudo esteja resolvido?” — Yu Debiao, por fim, falou.
“Claro que não. É preciso apresentar algum mérito! Por exemplo, revelar um ponto de ligação... ou então...” — Yu Jinhé fitou Yu Debiao intensamente, continuando em voz baixa: — “O infiltrado que lhe abriu a porta!”