Capítulo Oito: Doçura é...
Faltava apenas um dia para voltar ao país, e Liu Rachel pensou que, afinal, já que tinha vindo à China, não podia deixar de visitar pelo menos uma atração turística. Compartilhou sua ideia com Han Ji-eun e Yin Ruiying; as três pesquisaram na internet e decidiram escalar a Grande Muralha.
Yin Ruiying trocou os sapatos, vestiu uma roupa esportiva simples e, ao observar os itens que trouxera, notava-se que estava bem preparada, parecendo de fato não ter vindo à China com o propósito de se suicidar.
Ora, viajar para outro país para tirar a própria vida não seria um excesso de ociosidade?
Quando as três estavam prestes a sair, Liu Minghe ligou para Ruiying, avisando que seu voo para Seul partiria às três da tarde. Ele estava ali a trabalho e não tinha tempo para permanecer mais. Ruiying, reconhecendo que Liu Minghe a ajudara, não poderia simplesmente se despedir de forma tão simplista.
Yin Ruiying olhou, constrangida, para as duas novas amigas. Han Ji-eun, generosa, declarou que, acima de tudo, o benfeitor é o mais importante! — Yin Ruiying ainda não sabia que quem a salvara tinham sido Kim Won e Liu Rachel, e esta tampouco pretendia contar; situações embaraçosas, afinal, não convém rememorar.
Assim, o grupo que subiria a Muralha reduziu-se a duas pessoas, mas, felizmente, Lee Young-jae e Kim Won juntaram-se a elas.
Os dois rapazes estavam ali para se despedir de Liu Minghe. Lee Young-jae ainda não parecia querer lidar muito com Minghe; Liu Rachel já havia percebido, mas como não eram íntimos, não perguntou nada.
Ao ver Ruiying de roupa esportiva, e Liu Rachel e Han Ji-eun também com trajes simples, Liu Minghe sugeriu que não fosse ao aeroporto, incentivando-as a se divertirem. Ruiying, porém, insistiu. Kim Won então sugeriu: “Eu e Young-jae as acompanharemos.”
Lee Young-jae, um tanto contrariado, seguiu com Liu Rachel e Han Ji-eun para a Muralha.
Além da Muralha, Pequim partilhava com as demais cidades chinesas uma característica peculiar: as multidões!
Os quatro subiram a Muralha espremidos entre a massa de gente; para Liu Rachel, foi uma experiência inusitada. Era sua primeira vez viajando assim, já que antes sempre seguia roteiros planejados pela mãe, o que lhe parecia entediante. Apesar do sol intenso, divertiram-se bastante e ela até comprou um cinzeiro da Muralha como lembrança.
No entanto, em meio ao passeio, Lee Young-jae e Han Ji-eun desapareceram, restando apenas Kim Won ao seu lado.
Liu Rachel ainda carregava a câmera nas costas. Retirou-a e sugeriu a Kim Won: “Oppa, vamos registrar este momento também!”
Kim Won havia trocado o terno por um traje casual confortável. De fato, os dois pareciam um jovem casal em viagem; ainda que não fossem, a atmosfera os envolvia e quase os fazia parecer um.
Kim Won fotografou Rachel, que, destacando-se entre a multidão, era de uma beleza rara, atraindo olhares mesmo com simplicidade e discrição.
Ela sorria, genuinamente feliz; quando foi reconhecida como estrangeira e convidada a tirar fotos, aceitou com alegria, bem diferente de sua antiga postura reservada. Parecia ter se livrado de todas as armaduras, revelando o coração mais puro.
Kim Won tirou muitas fotos espontâneas e lindas dela, e Rachel também registrou imagens dele. Lamentavam apenas não poder tirar uma foto do grupo completo.
Ao descerem, já era tarde; Rachel, sem hábito de exercícios, sentia as pernas trêmulas. Cambaleou, quase caindo, mas Kim Won a amparou a tempo.
— Está sentindo muita dor nos pés?
Kim Won a observou com as sobrancelhas franzidas. Embora carregasse a mochila e a câmera por ela, a jovem ainda estava exausta.
Sem outra opção, Kim Won levou-a a um canto mais tranquilo, pendurou a câmera ao pescoço, segurou a bolsa e agachou-se: “Suba!”
Rachel não hesitou e logo montou em suas costas. Estava realmente muito cansada; a fama da Muralha não era em vão.
O sol já se punha, mas o vento morno ainda tingia de vermelho as faces da moça. Rachel sentia-se apreensiva; se da outra vez fora um incidente, agora a situação tinha um quê de ambiguidade. Mesmo sabendo que não nutria tais sentimentos por ele, a proximidade e o calor entre dois jovens inevitavelmente faziam corar e acelerar o coração.
Assim, passo a passo, desceram a Muralha. Kim Won sentia as próprias pernas fraquejarem, admirando-se de sua resistência.
Ao menos, estavam em um ponto mais aberto — caso contrário, Kim Won acharia ainda mais embaraçoso.
No terreno ao pé da montanha, Han Ji-eun saboreava milho, enquanto Lee Young-jae, de óculos escuros, discutia com ela; juntos, pareciam incapazes de cessar as brigas.
Contudo, ao verem Kim Won e Rachel juntos, ambos se calaram.
Após um momento, Lee Young-jae comentou: “Por que tenho a impressão de que algo está acontecendo aqui? Parece que vão acabar juntos.”
Han Ji-eun, intrigada: “Não deveriam ficar juntos?”
Não era aquele o típico caso de afinidade mútua?
Lee Young-jae balançou a cabeça: “Você não entende.” Era o maior drama do ano, atravessando temas como ética familiar, amores tortuosos e fortes laços de amizade.
Han Ji-eun chamou Kim Won, que se aproximou. Rachel, sentindo-se constrangida, bateu de leve nas costas dele, sinalizando para descer. Kim Won não insistiu; agachou-se e, sem fôlego, pensou consigo que, se não se exercitasse mais, em breve nem conseguiria carregar uma moça.
O suor escorria-lhe da testa aos olhos; ao piscar, sentiu-se incomodado, mas alguém lhe ofereceu um lenço.
Rachel, envergonhada, não ousou limpar ela mesma o suor dele; sentia que os últimos dias haviam estreitado demais a relação entre eles, e era melhor conter-se.
Quando voltaram ao hotel, já passava das nove e meia. Rachel, após banhar-se, transferiu todas as fotos para o computador e as carregou em seu blog pessoal. Não trouxera pen drive, e assim, precavia-se contra possíveis perdas.
Por ironia do destino, foi assim que sua mãe, Esther, presidente da RS International, viu tudo.
Naquele momento, Esther passeava e jantava com Jung Chi-sook. Conversavam sobre Kim Won e Kim Tan, e Esther, simbolicamente, mencionou suas expectativas quanto ao casamento de Rachel e Kim Tan. Quando Jung Chi-sook saiu para telefonar, Esther navegou na internet pelo celular e deparou-se com as fotos recém-publicadas de Rachel.
Duzentas e cinquenta e nove fotos, das quais metade mostrava Rachel e a outra metade… Kim Won.
Esther imediatamente achou aquilo estranho.
Rachel não sabia que sua mãe conhecia o endereço do blog; usava-o como repositório temporário. Quando terminou de organizar tudo, Han Ji-eun já havia trocado de roupa e secado os cabelos. O novo visual, com roupas sóbrias e um penteado de lado, a deixava especialmente atraente; Lee Young-jae até se surpreendeu.
Era, sem dúvida, um tanto deslumbrante.
— Vai sair? — Rachel, pela primeira vez, perguntou espontaneamente.
Han Ji-eun corou: — Hm… Young-jae… disse que queria me ver.
Já estavam se chamando pelos nomes…
De fato, Lee Young-jae era alguém que facilmente angariava simpatia, e ele e Ji-eun combinavam bem; nunca faltavam assuntos, e Ji-eun claramente apreciava seu tipo.
Mal Ji-eun saiu, Kim Won telefonou para Rachel, convidando-a para um lanche noturno.
Depois de descer da Muralha, Rachel adormecera no carro; o almoço de hot pot não a sustentara, e agora sentia fome.
Pretendiam comer algo rápido, já que o bufê noturno do hotel era bom e ambos estavam cansados demais para sair.
— Que tal bolinhos de arroz doce? — sugeriu Kim Won, vestindo uma camiseta branca simples e calças de algodão claras, que realçavam suas longas pernas e lhe davam um ar caseiro.
Rachel sorriu.
— Ótimo!
Mal ela concordou, o telefone tocou.
Esther Lee, furiosa, perguntou: — Kim Tan disse que você não está nos Estados Unidos. Onde está?
Rachel sentiu um frio no peito.
Quando chegara a Pequim, avisara a mãe que viajaria mais um pouco, mas não especificara o destino; se tivesse dito, teria sido chamada de volta imediatamente.
Agora, porém, não parecia haver como esconder.
— Estou na China.
Do outro lado, silêncio, seguido de um tom ainda mais severo: — Diga-me o endereço; pedirei a um amigo que vá buscá-la.
— Mamãe! — Rachel, aflita, não podia revelar que estava com Kim Won, pois isso só traria mais perguntas. — Não posso me divertir sozinha?
— Você tem apenas dezessete anos, sou sua tutora. — Esther afirmou com autoridade e desligou o telefone.
O som do desligar a deixou desanimada; melhorar a relação com a mãe parecia um esforço em vão.
— Oppa, desculpe-me.
Sua expressão mudou da alegria à tristeza; Kim Won percebeu, pois estava perto e ouvira parte da conversa.
Ele passou a mão na cabeça dela, com uma doçura protetora, e disse suavemente:
— Não se preocupe.