Capítulo Sete: O Concílio dos Caçadores de Demônios

Catatan Langit Ilahi Ye Cangyue 3321kata 2026-03-17 14:30:50

        De modo geral, Jianle era de fato muito mais desenvolvida que Yeyun; multidões iam e vinham em meio a um burburinho incessante. As ruas, de cerca de dez metros de largura, estavam ladeadas por uma profusão de barracas, cujos proprietários iam de crianças de poucos anos a anciãos de setenta; curiosamente, estes últimos eram todos vigorosos, de maneira quase insólita. Contudo, ao se lembrar de que quase todos ali eram elementistas, mesmo os menos notórios tinham longevidade superior à do homem comum.

        Jianle situava-se próxima ao rio Yingmu, o que favorecia o desenvolvimento agrícola; a especificidade da região tornava o fluxo populacional particularmente complexo. Segundo Huo Yue, a convergência do relevo também dera origem a certas forças subterrâneas, facilitando o comércio de mercadorias ilícitas.

        O grau de promiscuidade local era singular; além dos caçadores de demônios, ali se encontravam soldados de Huocheng, elementistas das Cidades Centenárias, discípulos da Academia da Espada Sombria, e uma miríade de outras forças de origens variadas.

        Se não fosse pela distância, até mesmo Fengcheng teria marcado presença.

        As mercadorias expostas nas barracas raramente eram de boa qualidade, quase todas sem valor. Alguns elementistas, porém, expunham apenas produtos ordinários, reservando as verdadeiras raridades para negociações discretas com quem soubesse reconhecê-las.

        Devido ao fluxo constante de elementistas, os habitantes da vila já não se surpreendiam com suas façanhas; alguns até realizavam tarefas para eles, em busca de pequenas oportunidades.

        Qingying sentiu-se tocado: em Yeyun, o aparecimento de um elementista certamente despertaria olhares de reverência—claro, se fosse alguém poderoso.

        Na Guilda dos Caçadores de Demônios, todos eram elementistas, pois a função o exigia; já na Academia da Espada Sombria, excetuando-se mestres e discípulos, raramente havia pessoas comuns. Assim, não era impossível que uma força inteira se compusesse apenas de elementistas—embora raro, pois estes se consideravam superiores, e jamais se ocupariam de tarefas mundanas.

        Tal conduta, porém, diminuía o misticismo dos elementistas. Quando auxiliados pelos comuns, não se prestavam a exibir técnicas elementares ou manifestações de almas estelares, levando o povo a crer, erroneamente, que os elementistas não passavam disso.

        No fim das contas, os elementistas tinham seus próprios pensamentos, e pouco importava o que o povo cogitasse, desde que não representasse ameaça.

        Enquanto meditava, Qingying foi conduzido a uma casa de pedra simples.

        Ao entrar, viu no centro do pequeno recinto de uns dez metros quadrados uma escada de pedra. Huo Yue acenou, tomando a dianteira.

        Qingying estranhou a cena, mas vendo que os demais não demonstravam surpresa, nada perguntou e desceu junto.

        Seguiram por um corredor sombrio, cuja trilha serpenteava em declive; media cerca de três metros de largura por seis de altura. As paredes, de rocha escura e indefinida, eram pontuadas, a cada três metros, por lampiões de óleo já antigos—ninguém saberia dizer que tipo de óleo alimentava aquelas chamas.

        Após meia vara de incenso de caminhada, surgiu adiante uma porta de madeira, da qual emanava um aroma singular, indício de sua natureza incomum.

        A porta era púrpura-escura, com um rebaixo quadrangular ao centro. Yanlong estendeu a mão, onde lampejou uma luz violeta, produzindo um medalhão do mesmo formato; sem que Qingying pudesse observar com detalhe, ele o encaixou no rebaixo.

        A porta vibrou e, em seguida, abriu-se lentamente.

        O ruído de vozes explodiu de imediato; Qingying, criança ainda, arregalou os olhos, tomado pela curiosidade.

        Do outro lado, um salão esplendoroso de cem metros quadrados abrigava uma multidão em constante movimentação, negociando intensamente em cada balcão. Os itens ali expostos estavam em patente descompasso com os do mundo exterior.

        Qingying, um elementista comum, jamais vira tantas mercadorias de valor em Yeyun; sentiu-se deslumbrado.

        Yanlong e os demais o ignoraram, deixando-o vaguear entre as bancas, enquanto eles próprios, com propósito definido, dirigiram-se a um canto.

        Qingying lhes lançou um olhar, mas preferiu não segui-los.

        Após quase meia hora de exploração, Yanlong e os demais o chamaram para partir.

        No caminho de volta à Guilda dos Caçadores de Demônios, Huo Yue explicou a Qingying algumas noções essenciais para elementistas.

        A moeda corrente entre eles era o Cristal de Alma Bestial, extraído das feras mágicas, e classificado segundo o nível da criatura. Quanto mais elevado o grau do cristal, melhor; mas, como era extraído do corpo dos monstros, ao perderem-no, sua força diminuía drasticamente, e muitas vezes corriam risco de vida. Era impensável esperar que uma fera entregasse seu cristal de bom grado. Posteriormente, alguém passou a usar um outro tipo de cristal, capaz de ser absorvido e cultivado pelos elementistas, para a troca de bens—prática que, aos poucos, se generalizou, sendo agora aceita por todos. Assim, além dos Cristais de Alma Bestial, havia outra moeda de troca.

        Esta segunda moeda chamava-se Cristal de Alma Estelar.

        Yanlong e seus companheiros trocavam Cristais de Alma Bestial por Cristais de Alma Estelar, pois estes últimos, mesmo em sua qualidade inferior, continham menos impurezas, além de facilitar o cálculo de valores nas transações.

        Os Cristais de Alma Estelar dividiam-se em cinco categorias: Secundário, Fonte, Extremo, Estelar e Divino. Yanlong e os demais, naturalmente, trocavam por cristais de qualidade secundária. Diz-se que, em todo o Continente Fogo Negro, o mais alto grau disponível é o Cristal Estelar de qualidade extrema.

        Apesar do nome pouco lisonjeiro, o cristal secundário já permitia a um elementista cultivar-se até o Reino da Penetração Elementar.

        Mesmo assim, se Qingying ingressasse no mundo dos elementistas nessas condições, seria deveras lamentável—pois, em verdade, nada possuía...

        Após dois dias de cavalgada junto à equipe Dragão Fluente, Qingying divisou, por fim, o contorno da sede da Guilda dos Caçadores de Demônios.

        O quartel-general localizava-se à margem da Floresta Fogo Negro, facilitando o acesso das equipes à caça das feras mágicas. Havia ainda equipes que permaneciam na sede por longos períodos; para lhes proporcionar paz de espírito, a Guilda empregara imensos recursos na construção de uma cidade fortificada—Cidade Caçadora de Demônios.

        Situada em região remota—ao menos em relação ao quartel-general—a cidade era motivo de orgulho para os civis do continente.

        À frente de Qingying, erguia-se agora o legendário quartel-general, tantas vezes celebrado pelo povo.

        A construção principal assemelhava-se a uma torre negra de seis plataformas. Segundo explicara Huo Yue, as equipes da guilda dividiam-se em quatro categorias: Temporárias, Comuns, de Elite e Sagradas. A equipe Dragão Fluente era, naquele momento, de Elite.

        As quatro plataformas inferiores do quartel-general contavam com sistemas completos de missões, trocas e promoções; do nível mais baixo ao mais alto, permitiam o acesso, respectivamente, às equipes Temporárias, Comuns, de Elite e Sagradas. Naturalmente, equipes de nível superior podiam descer aos níveis inferiores, embora raramente o fizessem.

        A quinta plataforma era reservada ao Conselho de Anciãos, que ali deliberava sobre missões, recompensas e punições, e onde o presidente da guilda presidia reuniões importantes.

        O sexto nível era o local de cultivo pessoal do presidente.

        Ao lado do quartel-general, erguia-se ainda uma torre de sete andares, ampla e espaçosa, destinada à estadia temporária ou prolongada das equipes.

        Qingying contemplava, maravilhado, tudo aquilo que até então conhecia apenas de ouvir falar; agora, ante a grandiosidade da sede, o coração batia em curiosidade e excitação.

        Ao se aproximarem do portão, os membros da equipe Dragão Fluente, como por hábito, dispersaram-se instantaneamente, restando apenas Yanlong, Yantianmei e Qingying diante da entrada.

        Qingying hesitou; não sabia ao certo o que deveria fazer...

        Mas Yanlong acenou-lhe, indicando que o seguisse.

        Ao cruzar o portal com Yanlong, surpreendeu-se com o silêncio; em vez do rumor, pairava no ar uma atmosfera austera e letal, que parecia impregnar cada canto da guilda.

        No interior, poucos membros circulavam, todos em silêncio, o que deixou Qingying um tanto inquieto.

        Yanlong dirigiu-se à escada e começou a subir, seguido de perto por Qingying.

        Sem pausas, alcançaram logo o quinto nível. Qingying já intuía o propósito da visita, mas nada disse, pois sabia tratar-se de algo crucial para seu futuro.

        Ao adentrar o quinto andar, seus olhos se abriram em espanto: um salão circular se descortinava diante dele.

        As paredes, de pedra branca, contrastavam de forma marcante com o mármore negro dos andares inferiores. Por toda a extensão, pendiam rolos e mais rolos de pergaminhos, somando-se às centenas.

        No centro do salão erguia-se um pedestal de pedra leitosa, ao redor do qual cintilava uma auréola de luz, despertando em Qingying uma curiosidade vívida.

        Atrás do pedestal, sentava-se um ancião de negro, olhos semicerrados, como em repouso.

        Mais ao fundo, uma pedra quadrada de tom dourado pálido, de uns três metros de altura por um e meio de largura, estava recoberta de inscrições negras, tão densas quanto intricadas.

        Ao aproximar-se, Qingying não pôde conter o assombro.

        "Ranking das equipes da Guilda dos Caçadores de Demônios:
        Prata Um – Sagrado Shà,
        Prata Dois – Qiānjue,
        Prata Três – Luòxu,
        Azul Um – Dragão de Guerra,
        Azul Dois – Dragão Fluente,
        Azul Três – Asa Ardente…"

        Qingying fixou o olhar em "Azul Dois" e, de pronto, entendeu por que Huo Yue se vangloriava tanto de sua equipe; agora, finalmente compreendia...

        No fim da pedra, lia-se "Branco 387"… e, entre estes, quase duzentos começavam por "Vermelho", além de mais de trinta equipes "Azuis". No total, eram mais de quinhentas equipes; Dragão Fluente, já entre as dez primeiras, era realmente uma força a se considerar. Com tantos membros poderosos, seria estranho se ocupassem posição inferior.

        Vendo-o contemplar a pedra, Yanlong explicou: "Esta pedra foi erguida pelo antigo presidente da guilda, com o intuito de incitar a competitividade entre as equipes—embora só funcione para algumas… 'Prata' indica equipes Sagradas, das quais há apenas três; 'Azul', equipes de Elite, atualmente trinta e uma; 'Vermelho', equipes Comuns, cento e oitenta e três; e 'Branco', equipes Temporárias, trezentas e oitenta e sete."

        Yanlong fez uma pausa, e então prosseguiu: "Cada categoria tem seu próprio emblema, daí as cores prata, azul, vermelha e branca."

        Qingying anuiu, em sinal de compreensão.

        Yanlong sorriu e disse: "Agora vamos ao que interessa: trouxe você aqui para apresentar ao venerável Xufeng."